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domingo, 20 de janeiro de 2008

O Ronda na minha rua

A data de lançamento oficial foi em novembro de 2007, mas não faz um mês que as pessoas estão vendo ao vivo a Ronda do Quarteirão em ação. Eu, que moro bem próximo dos limites a oeste de Fortaleza e ando bem por longe de casa, já vi os homens bem de perto, em lugares distantes e por aqui mesmo. Sim, também fiquei impressionada.

O jornal O Povo deste domingo traz uma reportagem especial que se propõe a discutir o Ronda: a sensação da população, as notícias e os dados, o uso político do projeto, opinião de cientista social... Veja por aqui.

Sem dúvida o policiamento ostensivo faz um efeito psicológico sensível. A primeira tarefa que o Ronda tem cumprido é diminuir nos fortalezenses a sensação de insegurança. As fardas, os carros, os jovens policiais sorrindo simpáticos e eficientes. Estamos pra saber se surte o efeito esperado também sobre os bandidos.

Na voz do governo, o projeto é promissor e muito bem preparado. Pelo que dizem o governador Cid Gomes e o secretário Roberto Monteiro, todas as providências estão sendo encaminhadas pra não ter furo. A audácia não é pouca: aumento do efetivo de policiais, integração entre setores (como a Guarda Municipal e as polícias Civil e Federal), reformulação da organização interna, extensão para o interior do estado, reforço no equipamento, construção e aparelhamento de cadeias públicas. Significa uma mudança material na Segurança Pública do estado que pretende também uma transformação estrutural e moral. O projeto contempla inclusive a motivação do policial no que diz respeito à carreira, como maneira de estimular e valorizar o bom trabalho no projeto. E é intenção do governo contratar mais quatro mil PMs até 2010 (hoje são 13 mil).

Há quem desacredite do projeto por conta da postura do próprio governo em supervalorizá-lo. Há pessoas pensando que é tudo uma maquiagem, uma ilusão bem arquitetada. Certo é que o governo do estado tem se esforçado pra transmitir confiança às pessoas, e tem investido nessa visão otimista sobre o Ronda. Mas é prudente olhar para propagandas de governo com pelo menos um dos pés atrás.

Considerando que o tempo de implantação é esse de um mês pra cá, é pouco tempo pra avaliar se o Ronda pode ser classificado como "só fachada" ou "solução efetiva". Vamos esperar, e eu espero que o governo invista mesmo nessa grande reforma da segurança pública no estado. Acho que nunca se tentou um projeto tão amplo – e é bom torcer para que os pessimistas e oposicionistas se enganem.

Tivemos um comentário incomum aqui no blog. Foi anônimo, mas o autor se identificou como soldado do Ronda. Disse que era fácil criticar de fora, falar só do equipamento novo, e destacou o valor do material humano do programa. Ele demonstrava uma esperança confiante. Perdão pela demora na réplica, se você voltou aqui e estiver lendo. Se quiser voltar a fazer contato, estamos interessados em conversar e saber mais sobre o projeto no qual você trabalha. Meu email é rfd.felix@gmail.com.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Fortaleza de mazelas (1 e meio)

Estava preparando texto pra esse blogue há uma semana (estive também ocupada com outras atividades: bolsista não tem férias)... Mas outros acontecimentos me puxaram a atenção. Neste sábado, cheguei em casa feliz e distraída e me assustei com as notícias do dia.

Arrastão e morte no Centro de Fortaleza
Às vésperas do dia de Natal, moradores de Fortaleza viveram um dia infernal na área do Centro, neste sábado, com incêndio pela manhã, e à tarde, arrastão, pânico e morte.

Vejam aí as palavras: inferno, incêndio, pânico, morte. A coisa não foi nada simples.

Confesso que me deu vontade de ter visto de perto. De estar lá, não pra ser atropelada pela correria ou pra sentir o desespero com mais emoção. Queria ter visto e sentido como foi esse acontecimento - e não digo como se achasse que foi tudo uma atração. Queria ter visto de perto pra entender direito... (Suspiro e me respondo que isso é "espírito de jornalista" - espero ter algum, ainda não tenho certeza).

Deram destaque à fotogaleria do portal, junto da manchete. De 14 fotos, 4 estampando rostos desesperados, de crianças também, e as restantes enfocando a ação policial. Perguntei-me: será que essas pessoas autorizaram essas fotos?

Por pior que tenha sido, esse fato está mexendo em muita coisa na cidade. As pessoas estão discutindo políticas de segurança pública, finalmente pensando a sério sobre a Ronda do Quarteirão... Que antes era a grande proposta salvadora da segurança pública no estado, e agora é falada como um belo fracasso em fardas caras e veículos superpoderosos. Até agora, a maior decepção do povo com o governador Cid Gomes.

Marcos Cavalcante, repórter do núcleo de Cotidiano do jornal O Povo, escreveu uma nota de quem viu a ação não a trabalho, mas como cidadão, sem no entanto se deixar atordoar como a maioria. Recomendo. Ele diz: "Talvez as histórias sejam boato. Talvez o boato é que haja segurança no Centro."